Educação Inclusiva
RESENHA
Obra:
REVISTA Ação Educativa. Ebulição. Série de Debates: “Desafios da Conjuntura”. Edição 20 – Março 2007.
Na edição de março/2007 a revista Ação Educativa trouxe a público uma série de artigos e algumas entrevistas sobre o tema: 'Os desafios da educação inclusiva'. Não vamos abordar os textos isoladamente mas expor em linhas gerais o conteúdo ali apresentado, seguindo a tríade: Estado, sociedade e educação, sujeitos que, de formas intercambiáveis viabilizam ou não a inclusão dos possuidores de necessidades especiais.
O Estado brasileiro traz na sua carta magna a afirmação de que “a escola é para todos”, logo todos devem estar na escola inclusive os indivíduo com necessidades especiais. Há toda uma estrutura jurídica que contempla os desdobramentos desta afirmação, como por exemplo a obrigatoriedade de aceitar a matrícula destes indivíduos, sob pena de sofrer as sanções legais no caso de recusa. As pessoas alvo destes direitos, não precisam superar limites pessoais para apropriar-se dos mesmos, pois os têm garantidos como qualquer outro ser humano. Logo, o esteriótipo do sujeito que supera seus limites pessoais, por exemplo, um cego que conclui o ensino superior, e que acaba veiculado na mídia como um grande feito – tais notícias tem um efeito inverso, reforçando os preconceitos já existentes. Direito, é direito de todos, não há necessidade de se provar nada para ninguém.
Embora a legislação tenha avançado, não são as leis por si só que tornarão real a inclusão, é na sociedade e particularmente na escola que se apresentam os desafios da efetivação da mesma. Jurídica e ideologicamente se promete a “escola para todos”, no entanto este discurso mascara um contexto mais amplo de exclusão e de preconceitos, neste caso, temos que entender a inclusão dentro da sociedade excludente em que vivemos, nela a escola desempenha um papel importantíssimo, pode se situar no plano da emancipação dos indivíduos, ou da sua submissão. Devemos tomar cuidado para não responsabilizar escola e/ou professores isoladamente pela situação atual, mas reconhecer que a inclusão, sobretudo, deve ser uma política de governo.
A escola não é meramente o reflexo da sociedade, mas ela é o reflexo dos agentes, que constituem a cultura escolar, esta é divida em três características intercambiáveis, sendo: “cultura docente, cultura experiencial e cultura acadêmica”1. O professore não se reconhece como sujeito responsável pela inclusão, embora de maneira unívoca enalteçam a educação inclusiva. Para estes profissionais esta posto o desafio de mudar a filosofia que culpabiliza o aluno pela incapacidade de aprender, bem como reconhecê-los como indivíduos que possuem particularidades, e que não meramente uma massa, “a turma”. Pensando no alunado da educação inclusiva deve-se perguntar qual a melhor maneira de ensiná-lo(a), bem como valorizar cada conquista como uma etapa no seu desenvolvimento.
É difícil mensurar a importância que ocupa a sociedade na proposta da educação inclusiva, pois ao mesmo tempo que ela é o alvo desta política, também é um agente de concretização da mesma. Como bem pontuou Arimar Martins ao afirmar a necessidade de oferecer subsídios à comunidade para aproximá-la, sensibilizá-la e conscientizá-la, fomentando uma nova ética, a ética da diversidade e um tratamento não discriminatório das pessoas com necessidades especiais, num claro reconhecimento de que sem o apoio da sociedade não haverá inclusão real. A sociedade deve receber abertura por parte das instituições que promovam a inclusão, e em especial a escola, deverá radicalizar esta participação, dando aos pais e aos responsáveis por alunos com deficiência, “espaço de autoria e troca” – repensando a postura atual, onde a escola apresenta-se como a detentora do que considera mais importante para eles.
O texto “Ebulição” traz para o leitor os elementos para o reconhecimento de que todos possuem diferenças, que são um continuum das particularidades físicas, intelectuais, emocionais e socioculturais. É necessário repensar a prática dos educadores, pois o foco não está mais na busca do entendimento de qual deficiência o aluno possui, pois todos possuímos alguma, mas quais são as capacidades que ele apresenta. Escola, família e professores devem receber apoio do Estado para que a educação seja uma realidade.
por
Robson Pereira
Robson Pereira
Marcadores: aluno especial, escola inclusiva, Inclusão, pessoas com deficiência

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